quarta-feira, 14 de julho de 2010

Inquisição

Uma visão perfeita, celeste, vinha de cima e me chamou
Olhava-me o céu inquirindo-me da vida
Calado lhe olhava junto aos pássaros
Queria eu um voo, uma visão altiva, menos repetitiva

Olhava-me o céu repetindo-se na pergunta
Desafiando-me a responder o irrespondível
Irresponsável mania humana de tudo querer saber
E, nesta mania, constrói, destrói, mói, se dói

Pássaros na árvore miram o céu, miram a mim
Olhar inquiridor, estranham-me a falta de penas
Sentem pena por meu caminhar, compreendem céu
Voam seus voos belos e voltam à bela árvore

Nunca pararei de olhar o céu, de olhar as aves
Nem de questionar o irrespondível viver
Pois sempre serei inquirido pelo céu
Sempre terei a compaixão das aves

Tentarei, não como Ícaro, voar meu voo altivo
Ver o mundo de cima para entender-me pequeno
Ver-me no alto para entender-me baixo
Ver-me pássaro para entender-me humano

As nuvens passam, os pássaros aquietam-se pousados
A árvore inerte, só em aparência, fica imóvel como eu
Mas estamos vivos, eu e ela e também o céu
Que insistirá eternamente a me inquirir até o fim

Obs.:
Poema inspirado nesta bela foto tirada por Yani Rebouças, Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, neste ano de 2010.

Agradeço a Ana, do blog (In) Cultura, de Portugal, pela publicação deste poema em seu espaço cultural. Vocês podem conferir pelo link: http://sonhar1000.blogspot.com/2010/07/um-poema-do-outro-lado-do-mar.html e vejam muita coisa interessante que há por lá.

53 comentários:

  1. Belo, muito belo.

    Estive a lê-lo ao som de "Vissi d'arte"" ária do II Acto de Tosca.

    "Tentarei, não como Ícaro, voar meu voo altivo"

    "Ver-me pássaro para entender-me humano", estes foram os versos que mais me tocaram.

    Se me der permissão colocarei o seu poema no meu blogue.

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  2. No céu sempre cabem todos os poemas.

    Muito bonito!

    Beijo.

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  3. Oi, Ana.
    Claro que pode publicar meu poema no seu blog. Vai ser uma honra estar por lá. Quando o fizer, me avise por e-mail que coloco aqui um link abaixo do poema fazendo a ligação do meu blog ao seu.
    Beijo grande.

    Lara,
    Sempre bom te ter aqui com esta leitura de quem escreve tão bem.
    Beeeeeeijo.

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  4. Ivan, eu estava com saudades de voce... então vim lhe ver e encontrei esta linda foto. Realmente, a vida, para quem sabe apreciar o belo e a simplicidade no magnetiza. Somos captados pelo esplendor do ceu em composição com as curvas da natureza e a beleza das aves.

    Beijinhos

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  5. Sou como um pássaro que, sentado no galho de uma árvore, contempla o céu. Desejo voar, mas minhas asas estão feridas. Felizmente posso sentir os raios de sol e a brisa tocarem minhas penas...

    Parabéns, Ivan, pela sensibilidade expressa no poema! Esta é uma característa de poucos homens: apenas os nobres de espírito tem capacidade de detê-la.

    Um beijo!

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  6. Oi, Sissy.
    Que bom te ter por aqui. Ando em dívida com muitos blogs, e o seu é um deles. Nem sempre dá tempo de ler tudo, mas passo por lá pra saber das novas.
    Beijo.

    Luana, dona cantora.
    Bom te ter por aqui, também, e obrigado pelas palavras. Volte mais.
    Beijo grande.

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  7. Tentarás como poeta voar seu voo altivo
    E verás o mundo de cima para entender-se pequeno
    Verás do alto para entender-se baixo
    Verás pássaro para entender-se humano!
    [licença poética]

    Isso é profecia pura que emana de suas palavras e que faz o fragmento de vida captado pela minha lente mais poético e mais significativo!!!

    Seja sempre, Ivan!

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  8. Yani,
    Que bom te ter aqui de novo e muitíssimo obrigado pela foto que me inspirou o poema. Este "casamento" entre fotos e poemas é algo que idealizo desde aproximadamente 1988. Começou a tomar forma com o blog.
    Obrigado e quando tiver mais fotos legais, me mande pra ver se a tal da inspiração baixa, tá?
    Beijo grande, fotógrafa, poeta.

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  9. É da natureza humana se questionar permanentemente.

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  10. Acho que a gente tem que sempre se questionar, ainda que em doses pequenas (a contagotas). Quando a gente não se questiona, se estaciona, para de pensar. Não é exatamente fácil às vezes dói, mas vale a pena.
    Beijo.

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  11. Caro Ivan,

    Me afeiçoei com seu texto. Congrats sinceros.

    Andreia.

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  12. Que inspiração!!!!!

    Céu, aves, a Lagoa Rodrigo de Freitas, e Ivan!

    Já bastava para que o voo fosse alto e o sonho como de Ícaro.

    O porta ultrapassou as barreiras e nos presenteou com este belo poema!

    Belo, Ivan!

    Beijos

    Mirze

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  13. Oi, Andréia.
    Seja bem vinda. Bom ter sua leitura.
    Beijo.

    Mirze,
    Sempre bom te ter por aqui. Este podema é que me veio de presente através da foto. É uma daquelas fotos que fazem a inspiração se incorporar da gente.
    Beijo grande.

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  14. O poeta voa de uma forma tão desregular e tão singular que deixa aviadores profissionais malucos.
    O poeta questiona sem questionar, fala sem dizer, Diz sem falar. O poeta é tudo num só, o poeta alça voos maiores do que qualquer pássaro que dorme de braços abertos.

    Que lindo Ivan, que bom te ler,viu?
    Vou te linkar lá no Desmondier, pode? Se não deixar, eu linko mesmo assim. Quero que todos vejam que maravilha de blog tenho pertinho!!
    Um beijo

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  15. ivan, conheci vc naquela insanidade enológica ... rsrs ... no blogg da dani. abrir garrafa de vinho com sapato, de homem, é pedir demais. escrevi um coment, se quiser ler.
    vim aqui pelo seu comentário lá e resolvi seguir vc, principalmente, pela sua preferência cinéfila: amadeus é o primeiro, dos 5 filmes da minha vida.
    tenho 3 bloggs, que eu acredito vc vá gostar. um sobre rock, outro de receitas e suas histórias e este, com o qual assino aqui.
    beijo. regina.

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  16. Carol,
    Que comentário mais gostoso. E é claro que pode colocar meu link lá no Desmondier. Eu é que tenho a agradecer.
    Beijo enorme.

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  17. Regina,
    Seja bem vinda. Vou lá conhecer seu espaço. Quanto ao método de abrir o vinho, como disse lá, na falta de sacarrolhas, melhor usar uma toalha. (rs...)
    Beijo e bem vinda.

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  18. Poesia demais, Ivan. Transbordante. Linda, como o azul desse céu.

    BeijooO

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  19. Valéria,
    Esse céu, como você leu, eu ganhei de presente. Foto que inspira: olhar para fora que faz olhar para dentro.
    Beijo.

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  20. "Irresponsável mania humana
    de tudo querer saber."

    Sinto-me, então,
    por vezes,
    nem tanto humana...
    Há coisas
    que prefiro
    imaginar
    a conhecer.

    (Quinta-feira nublada.
    Dia propício a devaneios.) rs

    Um abraço,
    Doce de Lira

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  21. Olá Ivan,
    Vai sair amanhã, dia 16 de Julho!
    Coloquei um link para o seu blog.
    Muito obrigada!
    :)

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  22. Oi, Renata.
    Bem vindo seu devaneio, que ficou como um poema dilho do poema. Isso é muito bacana.
    Beijos.

    Ana,
    Obrigado mais uma vez pelo carinho e será uma honra estar publicado lá no (In)Cultura (http://sonhar1000.blogspot.com/) e ter a chance de ser lido também pelos seus leitores. Obrigado pelo carinho.
    Beijo grande.

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  23. Ter a compaixão das aves é um grande achado e também um voo certo!

    Um beijo amigo, Ivan.

    Carmen Silvia Presotto
    www.vidraguas.com.br

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  24. Carmen,
    Tenho verdadeira paixão pelos pássaros e um quintal cheio deles. Pode até ser projeção, mas gosto de pensar assim, ajuda no voo.
    Beijo grande, sempre bom te ter por aqui.

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  25. Eu acho que se texto me deu a receita ideal de como entender-me humano.
    Terei eu que virar ave,lá do alto me olhar pequeno e me inquirir.
    Ou seja, nunca vou me entender.
    E aí chego no desfecho do seu poema: vou ser inquirido até o fim.
    ótimo Ivan!
    abraços!

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  26. É, Pedro.
    Acho que a gente nunca se entende por completo, mesmo.
    Bom te ter por aqui. Volte mais.

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  27. "Sempre terei a compaixão das aves"

    ivan,

    a frase é uma das mais belas que li nos atuais tempos dos termos da poesia.

    bravo!

    um verso repleto de beleza.

    parabéns por mais uma belíssima construção. comovente.

    um beijo.

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  28. Questões, ou a questão. O tom filosófico, ou a reflexão em versos que fazem pensar.Gostei muito.

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  29. Oi, Betina.
    Nem sei o que dizer diante da sua declaração, a não ser obrigado pela leitura, pelo carinho.
    Beijo grande.

    Gerana,
    Bom te ter por aqui de novo. Minha ideia foi mais de algo em tom reflexivo, mas muitas vezes uma introspecção nos leva a filosofar, mesmo.
    Beijos.

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  30. Oi, Ivan, perfeito texto poético, de pura sensibilidade. Acredito que essa melodia nos transporta à realidade pessoal, somos, sim, questionados, seja por nós mesmos ou pelos outros, numa frequente transposição de perguntas, muitas vezes sem respostas.
    Linda inspiração! Parabéns!

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  31. Ver-me pássaro para entender-me humano
    Ivan, que frase belíssima...é preciso voar pra conhecer a terra.

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  32. Voaste alto IVAN,
    e lá do azul trouxeste este lindo poema!

    Dá-lhe Ivan oh é!

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  33. Caro Ivan,
    Estive visitando seu blog e este poema está entre os muitos que apreciei... viver com simplicidade não é tarefa das mais fáceis.
    Eu, sinto-me as vezes sem condições de voar... mesmo fervilhando em mim todas as emoções do mundo.
    Será bom um dia poder voar altivamente, "entender-me pequeno, baixo e humano."

    Abraço...

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  34. Oi, Luciana.
    Os questionamentos são inevitáveis, e nós é que nos fazemos, ou diretamente ou em forma de projeção (que foi como fiz no poema). Questionar é preciso, ainda que não se tenha as respostas. Quem não questiona, se engessa, né?

    Adriana,
    Acho que a gente só entende o quanto é pequeno se vendo (ou se imaginando visto) do alto. Mesmo em um avião a gente já tem esta noção da miniatura que somos. Em escala universal, não somos mesmo quase nada. E ainda há os que estufam o peito e questionam "Você sabe com quem está falando?". A resposta deveria se "Com um pozinho cósmico" (rs...).

    Tonho, mago das imagens palavreadas,
    Este poema saiu de um papel A4 e veio parar aqui.
    E como informação pra quem não conhece o trabalho do Tonho, acessem http://www.6vqcoisa.blogspot.com/ e também http://www.po--etica.blogspot.com/. O do papel A4 está no Facebook.
    Abraços, tchê.

    Djones,
    Bom te ter por aqui, cara. Acho que neste poema cabem questionamentos como "Who wants to live forever?", não? Acho que você deve conhecer a música. (rs...)
    Abraços

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  35. "Ver-me pássaro para entender-me humano"

    Entender inclusive os desejos instintivos que relutamos em libertá-los...

    O que restaria de essência nessa existência tão influenciada pelas experiências e interações com o outro?

    Teríamos coragem para compreender o que restaria de identidade crua? Estaríamos preparados para verdade pura que nos habilitaria a executar vôo pleno?

    Adorei o estilo e as reflexões aqui propostas!

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  36. Oi, Lívia.
    Seja bem vinda aqui ao Empirismo Vernacular. Já fui conhecer seu blog "Inquietude do Pensamento" e já estou seguindo. Vou ler com calma.
    Beijo grande, bom te ter por aqui.

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  37. Belo esse poema, Ivan! Adoro o céu, olho o sempre e sempre e sempre...talvez por isso tenha crescido achando que era meio pássaro, meio gente
    porque o céu sempre me pede asas (não de borboletas..rsrsrs).
    Também busco olhar de cima para saber o tamanho exato.

    um beijo pra ti

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  38. Andrea,
    Esta sua paúra de borboletas ainda há de ser curada. (rs...)
    Enquanto isto, use as asas das aves, mesmo, ou as da imaginação, ou as do avião, enfim, voe seu voo e de vez em quando dê uma razante por aqui.
    Beijos.

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  39. muito legal seus poemas. vim conhecer o blog e convidá-lo para conhecer e seguir o Morena de Pintas. abs

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  40. Oi, Angela.
    Seja bem vinda aqui em Empirismo. Já estive em seu blog "Morena de Pintas" (http://angeladalpos.blogspot.com/) e já comecei a ler. Já sou seguidor por lá. Te espero como seguidora aqui, também.
    Beijos.

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  41. Ivan como foi preciso desser para postar um comentário. Mas valeu! amei vir novamente a sua Casa, ler seu Texto muito lindo. Noas alerta para "olharmos" com mais atenção para natureza ao redor. Há tanta belza no Céu! Precisamos sim, prestar mais atenção e olhar para cima, mas com o cuidado de sempre olhar com "humildade e sabedoria", penso eu. Amei passear novamente pela sua Casa. obrigada por esse deleite!
    Com amor e carinho,
    Sílvia
    PS.: Há novas Postagens minhas no meu Blog. Sinta-se bem vindo!
    http://www.silviacostardi.com/

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  42. Obrigada Ivan,
    bom domingo, por aí.
    Bjs

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  43. Oi, Sílvia.
    Vou lá no "Colcha de Retalhos" pra ler as novas agora mesmo.
    Beijo.

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  44. Ana,
    Bom domingo e bom todo dia pra você também aí no "além mar". Ainda hei de conhecer Portugal.
    Beijo grande.

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  45. Oi,querido amigo poeta dos "bão",estive ausente do seu lindo blog por alguns dias e ao revisitá-lo me deparei com esse poema lindíssimo! Parabéns e vê se me escreve estou com saudades e com novidades das boas.
    Beijos mil
    Ely

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  46. Ivan, poema lindo, desses que calam bem fundo, de mergulhar nesse céu azul e ficar inerte na arvore com os pássaros, tomando banho de sol na manhã fria.

    Beijão!

    P.S - realmente, aqui cabe o poema da Anita, rssr

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  47. "Olhar de cima para ver-me pequeno", gostei desta frase!

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  48. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Alinhavo de Cores. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs



    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


    Abraços

    http://narroterapia.blogspot.com/

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  49. Ely, Patrícia e Mariane
    Obrigado pela leitura e pela presença. Sempre bom ser lido por olhos atentos.
    Beijo pras três.

    Fabrício,
    Obrigado por vir conhecer, já estive no seu blog, espero você seguindo aqui, também.
    Abraços.

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  50. Parabéns pelo estilo e proposta do seu blog!

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  51. Ótimo poema, Ivan. Não conhecia o seu blog, mas essas duas árvores da foto conheço bem. A de folhas fininhas, na qual estão empoleiradas as aves, é uma das muitas casuarinas que há no entorno da lagoa. E as aves são biguás, velhos freqüentadores da Rodrigo de Freitas.

    Saio do seu blog relaxada, renovada, como se estivesse chegando em casa depois de um passeio pela lagoa.

    Voltarei.

    Abraços

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  52. Cristiano,
    Obrigado pela leitura e pelo comentário.

    Anga,
    Adorei sua explicação do nome da árvore, uma casuarina, e dos biguás, as aves que estão empoleiradas nela. Bom te ter por aqui.
    Beijo.

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  53. Olá Ivan
    O seu blog é um mundo a explorar e um prazer a degustar... devagarinho.
    Um beijo amigo
    Liliana

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