segunda-feira, 21 de junho de 2010

Busca

Há quantos céus?
Tantos a se santificar em véus!
Já nem sei quem sobe ou desce,
Já nem sei qual a melhor veste.

Visto-me de mim,
Daquilo que me conheço,
Daquilo que desconheço em mim,
Em meio ao emaranhado-eu.

Tento solos, tento saltos;
Salto solidão, tento parcerias
Tento paixão e quero amor
Tento não guardar rancor.

Há quantos eus em mim?
Tantos quantos há de céus?
Pra qual irei? Quem serei?
Sigo por aí em busca de mim...

20 comentários:

  1. "Quem são estes outros que habitam em mim?" (Lacan)

    "Sou eu esta mulher que anda comigo?" (Hilda Hilst)

    Esses múltiplos de nós, quase uma psicose, rs.

    Somos este eterno vir-a-ser.

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  2. Interessante a convergência com os dois últimos textos que publiquei.
    Depois, se puder, leia e me diz se achou tb.

    Mais uma vez, parabéns pela escrita.

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  3. Engraçado como tudo que vc escreve me lembra música...! E eu vou montando uma trilha sonora com os versos seus... hahaha Esse de agora me lembrou a voz do Milton Nascimento: "Doce ou atroz, manso ou feroz Eu, caçador de mim".
    E nessa "caçada" é difícil calcular quantos somos... Uma hora somos um único e intenso; Em outras, somos vários e titubeantes; Em algumas mais somos poucos porém extremos. Acho que, na verdade, é uma construção sem fim: um pedaço de cada euzinho que a gente já foi ao longo da vida se costurando para formar o EU maior de hoje. O de amanhã, com certeza será diferente.

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  4. Busca incessante e persistente essa, sei bem.

    Abraço.

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  5. Há quantos céus?
    Interessante para começar um poema à procura do eu. :)
    Ana

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  6. seguir é a unica opção.
    tem a morte também, mas essa só os muito perversos escolhem.

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  7. É, Ivan. Há mais eus do que eu mesmo, por isso escrevemos...

    Um beijo.

    Carmen Silvia Presotto
    www.vidraguas.com.br

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  8. Nossos eus são tão infinitos quanto os céus!
    E pela infinitude dos teus, acredito que vislumbraremos ainda muitos horizontes! PARABÉNS!

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  9. Muito bom, Ivan!

    Esses questionamentos sempre surgem como sombras ou avisos.

    A busca será incessante. Se encontrar, me avise,

    Beijos

    Mirze

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  10. Ivan

    Quantos eus? O suficiente de fragmentos que encontramos no caminhar,

    entram dentro da gente e constituem essa fragmentação,

    um beijo,

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  11. "Salto solidão..." Que lindo isso!


    Tanto quanto há de céu e mar, tu é imenso, assim como tua poesia.

    beijos amigo!

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  12. Ivan, é, realmente, parece psicose, somos habitados por vários eus que em si encerram vários caminhos, só para complicar nossa busca. São tantos, que as vezes precisamos ser apresentados!

    Beijo

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  13. Acho que você descreveu sabiamente a formação da dúvida do carater, da personalidade do indívíduo, e sentimentos significativos.
    Já me avizinhei.

    BeijooO*

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  14. "Tento paixão, quero amor. Tento não guardar rancor". O amor, talvez, o movimento intuitivo entre os eus. Apreciei muito teu poema.

    abrs!

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  15. Lindo Ivan!
    E essas são mesmo nossas incansáveis buscas não é mesmo? Como diria a Shirlei " é humano insistir"... Que Bom!
    Beijos!
    Aline Morais Farias
    Blog: Periódico Subversivo
    http://alinemoraisfarias.blogspot.com

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  16. As pessoas estão sempre buscando alguma coisa, algo a mais. Inclusive buscam dentro de si mesmas.

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  17. Até jamais encontrar.

    E viva a rainha transform-ação! :)

    Ótimo, Ivan!

    Beijo, beijo

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  18. Me dei conta que reeditei um texto antigo cujo tema é o mesmo que o seu, mas não responde as suas dúvidas. Dê um pulo lá depois, chama-se Multivíduos ou a Nova teoria da relatividade existencial (rrsrsr)

    beijo grande

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  19. Oi Ivan
    A procura do nosso "Eu" é um árduo trabalho.
    O "Eu" é a essência de nós mas para a encontrarmos temos de trabalhar a vida inteira e nunca lá chegamos mas também não conseguimos desistir, é a nossa condição de seres humanos.
    Gostei muito do seu poema.
    Um beijinho amigo.
    Liliana Josué

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