segunda-feira, 10 de maio de 2010

Grades

As grades foram postas
Grades foram impostas
Lá foram postos
Lá ficaram
Em pensamento restrito

Um dia abriram os portões
Das grades postas
Das grades impostas
Depois de longa negociação

Mas lá ficaram
Lá postos, mas depostos de ser
Não sabiam mais viver em liberdade

(Uma vez nas grades mentais
A vida foge)

5 comentários:

  1. Liberdade
    uma vez nas grades mentais
    a vida foge...

    Que cena!

    Um beijo, Ivan.

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  2. Ivan,

    Ao ler seu poema me lembrei muito de um antigo texto seu, cujo título é: "Tênues Fios da Escravidão"
    Tal qual o texto na época hoje sua poesia me mecheu demais porque lutamos contra barreiras, grades que existem apenas no nosso inconsciente e que na verdade foram colocadas por nós mesmos e nos abituamos de uma certa forma a essas grades que não saberíamos viver "livres"...
    Bela poesia!!Uma senhora advertência...
    Beeeijo Grande!!!

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  3. Há muito que não vinha ao seu blogue, Ivan, e agora que vim, deparo-me com uma mão cheia de bons poemas. Apenas uma discordância consigo e com os comentários anteriores: penso que este poema devia terminar em "não sabiam mais viver em liberdade", mas não sei se será boa educação dizer isto alto.

    Um forte abraço para si Ivan

    António

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  4. Denise, Carmen, Aline e António, obrigado pela leitura e pelos comentários. Os comentários sempre enriquecem e inspiram mais.

    Denise e Carmen, gostei da imagem das "grades mentais", tão reais, e aí cai-se no texto a que a Aline se referiu, "Tênues fios da escrevidão". As grades existem, são tênues, mas às vezes intransponíveis.

    Ao António, concordo plenamente que o poema fica melhor terminando em "não sabiam mais viver em liberdade". Dá mais impacto poético, e só percebi depois que você me alertou. Por favor, fique sempre à vontade para sugerir, António... todos.
    Tanto concordei que coloquei entre parêntesis, como um "complemento póstumo" ao poema, a parte que diz "(Uma vez nas grades mentais
    A vida foge)". Já com os parêntesis.
    Obrigado pela dica, António, e bom tê-lo de volta lendo e comentando. Sempre muito bem vindo, sempre muito bem vindos todos.

    Abraços e beijos, ósculos e amplexos, todos fortes, a vocês.

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