quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Carga

O que eu desdisse estava dito,
nada podia fazer.
Dito, desdito, é redito,
resignificado, refeito, replanejado.
Já não sabia o que dizer do dito,
então desdisse.
Já não sabia suportar tanta lenha
no lombo,
então cedi, caí, bati os joelhos nas pedras,
deixei a lenha de lado,
mas alguma ainda ficou:
aquela lenha que é nossa,
queiramos ou não.
Até o mais forte dos jumentos
tem sua cota de força,
seu limite de tenacidade,
sua minguada capacidade.
Jumento não é burro,
nem burro é.
Deixa a lenha aí,
deita a lenha no caminho,
alguém saberá o que fazer,
há de ter serventia,
depois passa a ventania,
que não agüentava mais.
Ou era a lenha ou era eu.

3 comentários:

  1. puta síntese de vivência, heim?

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  2. É verdade que na vida além da nossa "lenha" carregamos um pouco da lenha dos que nos cercam e como não somos "burros", não dá pra carregar tudo sozinho, também não dá pra ser apático perante os problemas das pessoas que amamos.
    O importante é saber o quanto desse fardo pode ser benéfico carregar. Vejo como algo até certo ponto positivo e solidário. Porém, cabe a nós impor alguns limites para que a própria existência não se torne um peso.

    Um beijo enorme!

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  3. além de todo esse significado sobre a lenha e a carga, já comentados aqui pelas meninas... algo mais ou menos, depende do ponto de vista...rsrsrsrs... me chama atenção..
    "O que eu desdisse estava dito,
    nada podia fazer.
    Dito, desdito, é redito,
    resignificado, refeito, replanejado.
    Já não sabia o que dizer do dito,
    então desdisse."
    qdo espalhamos palavras pelo "vento" não temos como recolhe-las, e nem adianta soltar mais em busca dessas outras... não existem essas palavras "feitoras" ...desdizer é redizer e repetir é espalhar tudo denovo...

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